Friday, 4 September 2009

Liderança segundo o Coração de Deus

Liderança Segundo o Coração de Deus
O que podemos aprender com os acertos e erros do Rei Davi

Por: Alexandre Coelho

Todos buscamos ser líderes que possuam a aprovação de Deus em seu ministério e liderança. Como homens de Deus e líderes, temos a missão de falar de Cristo e conduzir seu povo, “a quem anunciamos [a Jesus], admoestando a todo o homem, e ensinando a todo o homem em toda a sabedoria; para que apresentemos todo o homem perfeito em Jesus Cristo” (Cl 1.28).

Há na Bíblia vários homens que se destacaram como líderes em Israel, e cujas vidas podem nos suprir de subsídios para que entendamos os princípios da liderança bíblica. Dentre estes homens, vamos observar, mesmo que de forma breve — não tenho por objetivo esgotar o assunto — o exemplo do rei Davi.

O Contexto da liderança de Davi

“E disseram-lhe [a Samuel]: Eis que já estás velho, e teus filhos não andam pelos teus caminhos; constitui-nos, pois, agora um rei sobre nós, para que ele nos julgue, como o têm todas as nações” (1º Sm 8.5).

Não podemos começar a falar de Davi sem analisar a época em que ele viveu. Israel estivera sobre a época dos juízes, sendo julgado e orientado por Samuel, homem que reunia em si os ofícios de profeta, juiz e sacerdote. O povo, observando as nações à sua volta, decidiu pedir a Samuel um rei, pois o profeta estava velho e seus filhos não andavam em seus caminhos. Deus, após ser consultado pelo profeta, orienta-lhe que escolha a Saul como capitão do povo, com o objetivo de livrar a Israel das mãos dos filisteus (1º Sm 9.16).

Alguns cristãos que dizem, tendo em vista a forma com que governaram e em relação à obediência a Deus, Saul foi escolhido pelo povo, e que Davi foi escolhido pelo Senhor. Respeito quem pensa dessa forma, mas acredito particularmente que Deus não escolhe pessoas para que fracassem na liderança. Quando há um fracasso, é responsabilidade do líder, que se deixou afastar de Deus, como foi o caso de Saul. Mas a Bíblia diz que Saul foi escolhido por Deus, e Deus e Samuel investiram muito em Saul.

Deus mandou Saul para ser ungido, e Samuel para ungi-lo (1º Sm 9.16,17). Samuel não teve dúvidas de que aquele rapaz, que buscava as jumentas de seu pai, foi indicado pelo Senhor;

Saul profetizou, e teve seu coração mudado (1º Sm 10.5-10). Apenas quem tem o Espírito de Deus pode profetizar de verdade;

Deus considerou os homens que falaram mal de Saul, na sua coroação, como “filhos de Belial” (1º Sm 10.27);

Pelas mãos de Saul, Deus deu livramento a Israel diversas vezes, pois estava com Saul (1º Sm 10.7).

Infelizmente, com o passar do tempo, o primeiro rei de Israel se esqueceu de que fora ungido pelo Senhor e foi se afastando dEle, tornando-se um homem desobediente, iracundo, invejoso e desconfiado. Saul foi repreendido por Deus e Samuel, mas não se emendou (1º Sm 13.13; 15.26). Samuel acreditava tanto na chamada de Saul que ficou triste quando este desobedeceu a Deus, e o Senhor falou com Samuel: “Até quando terás dó de Saul, havendo-o eu rejeitado, para que não reine sobre Israel?” (1º Sm 16.1).

Isto pode acontecer conosco se nos afastarmos de Deus. A unção não garante que um líder ande nos caminhos que Deus determinou, e Saul é a prova desse fato. O caminhar com Deus e fazer sempre a sua vontade é que fará a diferença ao longo de nossa liderança. Saul se tornou desobediente à voz de Deus, e se tornou também inapto para liderar. Por sua desobediência, o Espírito do Senhor saiu dele (1º Sm 16.13, 14), e entrou em Davi (Pela ordem cronológica, como observou Ruy Bérgstén, primeiro Deus entrou em Davi, e depois se afastou de Saul). É justamente neste contexto, de necessidade de uma liderança centrada em Deus, que Ele escolhe Davi para ser o novo líder em Israel.

A Unção para o serviço é apenas o começo da caminhada. Precisamos sempre, e não apenas no começo, caminhar com Deus e respeitar suas orientações.

1. Deixe que Deus escolha você

“Então disse o SENHOR a Samuel: Até quando terás dó de Saul, havendo-o eu rejeitado, para que não reine sobre Israel? Enche um chifre de azeite, e vem, enviar-te-ei a Jessé o belemita; porque dentre os seus filhos me tenho provido de um rei” (1º Sm 16.1).

Uma das coisas mais importantes na liderança bíblica é o fato de que Deus deseja que os líderes sejam pessoas que conduzam o povo a Deus. Isto não se refere apenas à liderança na igreja, mas em todas as esferas em que vivemos. E Deus escolhe seus próprios líderes. Jesus deixou claro que quando carecemos de obreiros para trabalhar na obra de Deus, devemos pedir ao Senhor da Será que mande os obreiros para o seu trabalho (Mt 9.37,38). Os céus possuem os melhores recursos humanos para a Igreja, e a oração é essencial na escolha de novos líderes. Não escolhemos a nós mesmos para estar em posição de liderança, pois o desejo do poder costuma corromper as pessoas.

A. W. Tozer comentou que “O Verdadeiro líder, digno de confiança, é provavelmente o que não deseja ser líder, mas é forçado a assumir uma posição de liderança graças à pressão interior do Espírito Santo e à urgência da situação interna. Assim foi com Moisés, com Davi e os profetas do Antigo Testamento... O verdadeiro líder não terá desejo algum de dominar sobre a herança de Deus, mas será humilde, brando, dedicado e inteiramente pronto a ser liderado da mesma forma que lideraria, quando o Espírito deixar claro que apareceu um homem mais sábio e mais talentoso que ele”.

Não estamos com isso questionando a voluntariedade. Davi foi voluntário para lutar contra o gigante. Aqui questionamos o sentimento soberbo, de que apenas “eu” posso fazer isto ou aquilo, que sou capaz e que posso realizar. Este tipo de pessoa costuma se escolher, se usar em nome de Deus, se tornar o centro das atenções. Pessoas assim não servem para servir.

Deus é quem nos escolhe para liderar. Quem arroga para si a liderança provavelmente não está apto para ela.

2. Seja um servo

“Davi disse a Saul: Não desfaleça o coração de ninguém por causa dele; teu servo irá, e pelejará contra este filisteu” (1º Sm 17.32).

Os exércitos de Israel e dos Filisteus estavam para se enfrentar em Socó, quando um soldado de tamanho descomunal e muita experiência de guerra, Golias, se apresentou ao povo e desafiou os israelitas a enviarem um combatente seu, a fim de que ambos resolvessem a questão daquela guerra. Do povo nenhum representante saiu, e mesmo Saul não se apresentou para combater Golias, que continuamente afrontava o exército do Deus Vivo. Ele era um verdadeiro carro blindado, assustador apenas de se ver.

Enviado por seu pai ao arraial dos israelitas para ver como estavam seus irmãos, Davi ficou indignado de que um filisteu injuriasse o seu povo. O líder segundo o coração de Deus deve ter zelo pelas coisas de Deus, e lutar para que o nome do Senhor seja glorificado.

Convocado para se apresentar diante de Saul, deixou claro ao rei que ele, como servo, iria pelejar contra o gigante. “Teu servo irá”. Davi não disse: “Saul, fui recentemente ungido por Samuel para ser o próximo rei de Israel, e preciso fazer o meu nome conhecido em nossa nação!” Davi se colocou na posição de servo que era, e assim foi honrado por Deus, pois não buscou a glória para si. Servos não constroem altares para serem reconhecidos, como fez Saul (1º Sm 15.12). Há pessoas que deixam de servir quando ocupam uma posição privilegiada, e se esquecem de que Deus há de cobrar-lhes o que fizeram enquanto ocupavam cargos de liderança. Jesus deu o exemplo de serviço quando lavou os pés dos discípulos. A resposta de Davi foi: “teu servo irá”. Como servo Davi foi vitorioso contra Golias, e deu a Israel um grande livramento.

Davi não deixou de ser servo após ter recebido a unção para reinar sobre Israel. E como servo Davi foi usado e honrado por Deus.

3. Enfrente os desafios mesmo quando ninguém vê

Então disse Davi a Saul: Teu servo apascentava as ovelhas de seu pai; e quando vinha um leão e um urso, e tomava uma ovelha do rebanho, Eu saía após ele e o feria, e livrava-a da sua boca; e, quando ele se levantava contra mim, lançava-lhe mão da barba, e o feria e o matava. Assim feria o teu servo o leão, como o urso; assim será este incircunciso filisteu como um deles; porquanto afrontou os exércitos do Deus vivo. (1º Sm 17.34-36)

Questionado por Saul sobre sua intenção de combater o gigante, Davi disse que já enfrentara um urso e um leão para defender as ovelhas de seu pai. Observe que, pelo texto, primeiro Davi livrava a ovelha, para depois livrar sua própria vida. Isto demonstra coragem e altruísmo. E Davi não teve uma platéia para observar seus feitos heróicos, apenas ovelhas.

Depois de ser ungido, voltou a pastorear as ovelhas de seu pai. Ovelhas não conversam umas com as outras dizendo: Nosso pastor ontem enfrentou um urso para nos defender. No mês passado, ele enfrentou um leão também. Estamos seguras perto desse pastorzinho!” A platéia de Davi jamais falaria dos seus atos heróicos. Muitos pastores sem compromisso em Israel jamais lutariam com um urso ou um leão por uma ovelha. Eles simplesmente pagavam o valor da ovelha devorada. Na mão destes, ovelha morta vira estatística. Mas Deus não vê o nosso rebanho como um simples número.

Davi não apregoou esses feitos, senão quando questionado por Saul. Deus, melhor que ninguém, observa o que fazemos quando ninguém está olhando. A presença dele conosco nessas horas de anonimato é a garantia de sua presença quando nossa liderança for conhecida. Mesmo Jesus foi tentado no anonimato do deserto.

Quando trabalhamos na igreja para que outros nos observem, estamos fazendo algo pelo motivo errado. Quem dá esmolas, ora ou jejua para ser observado pelos homens já recebeu o seu galardão. Deus não tem compromisso em recompensar essa pessoa. A publicidade pode ter seu valor entre os homens, mas Deus recompensa a discrição e o anonimato, pois ambas as coisas abrem as portas para que o nome dEle seja glorificado, e não o nosso.

Não espere ser visto ou reconhecido para enfrentar desafios.

4. Dependa de Deus

Disse mais Davi: O SENHOR me livrou das garras do leão, e das do urso; ele me livrará da mão deste filisteu. Então disse Saul a Davi: Vai, e o SENHOR seja contigo” (1º Sm 17.37).

As vitórias alcançadas não podem nos tornar soberbos, e sim cada vez mais dependentes de Deus. Essa dependência faz a diferença na liderança. Desde a queda, o homem busca ser uma pessoa independente de Deus. Por isso que, para o homem pecador, dependência é sinônimo de fraqueza, de incapacidade, de submissão. Mas é justamente aqui que reside o segredo de uma liderança vitoriosa:

É a dependência de Deus que nos faz andar com Deus e realizar coisas impossíveis. Enquanto Saul dependeu de Deus, Deus era com ele, mas a partir do momento em que Saul resolveu desobedecer a Deus, Deus deixou de falar com ele, pois a voz divina não fazia mais diferença na vida do monarca.

Por depender de Deus, Davi enfrentou Golias sem ter em suas mãos armas adequadas ou experiência de combate corpo-a-corpo. A funda que Davi usava servia primordialmente para atirar pedras na frente de ovelhas desgarradas, fazendo com que retornassem para o rebanho, mas foi com ela que Golias foi abatido. Uma pedra, lançada por um adolescente, derrubando um combatente de quase três metros de altura, com no mínimo 130 quilos, capacete israelense e colete a prova de balas. E a submissão a Deus fez de Davi um grande guerreiro, temido por seus inimigos: “Porque contigo entrei pelo meio duma tropa, com o meu Deus saltei uma muralha” (Sl 18.29). Apenas a dependência de Deus nos torna ousados.

Nada podemos fazer que seja por nossa própria conta, pois nossos esforços sempre estarão aquém daquilo que é necessário. “Eu sou a videira, vós as varas; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer” (Jo 15.5).

Não permita que as vitórias o tornem uma pessoa tão forte que se esqueça de depender de Deus.

5. Seja esforçado na adversidade

E Davi muito se angustiou, porque o povo falava de apedrejá-lo, porque a alma de todo o povo estava em amargura, cada um por causa dos seus filhos e das suas filhas; todavia Davi se fortaleceu no SENHOR seu Deus (1º Sm 30.6)

Saber lidar com a adversidade é muito importante para a liderança, pois ela, tanto quanto o poder, costumam revelar quem nós realmente somos. Davi estava morando em Ziclague, na terra dos filisteus. Por questão de segurança, os homens que seguiam Davi e o próprio Davi estavam naquela terra, protegendo suas famílias: “Disse, porém, Davi no seu coração: Ora, algum dia ainda perecerei pela mão de Saul; não há coisa melhor para mim do que escapar apressadamente para a terra dos filisteus, para que Saul perca a esperança de mim, e cesse de me buscar por todos os termos de Israel; e assim escaparei da sua mão. Então Davi se levantou, e passou, com os seiscentos homens que com ele estavam, a Aquis, filho de Maoque, rei de Gate (1º Sm 27.1,2).

Após sair em uma de suas campanhas, Davi e seus homens descobrem que aquela terra, que lhes inspirava segurança, não era tão segura assim. Os amalequitas, aproveitando-se da ausência de Davi, destruíram a cidade, queimaram-na e levaram todas as famílias como prisioneiros. Mas não mataram ninguém.

De forma curiosa, os familiares de Davi e de seus homens não foram mortos, uma prática incomum naqueles dias. Aqui vemos a graciosa mão de Deus guardando aquelas pessoas. Imagine você chegar do trabalho, encontrar sua casa destruída e descobrir que seus familiares seqüestrados! A angústia daqueles homens foi muito grande, pois eram pessoas muito mais sensíveis às dores da vida e ao desespero.

Eram os mesmos homens que vieram ter com Davi quando este estava escondido na caverna de Adulão: “homem que se achava em aperto, e todo o homem endividado, e todo o homem de espírito desgostoso” (1º Sm 22.2). A dor deles foi tão grande que choraram até que não tiveram mais forças, e falaram em apedrejar Davi. Mas Davi se esforçou no Senhor. É na adversidade que as pessoas que nos cercam percebem de onde vêm as nossas forças. Davi consultou ao Senhor, foi atrás dos amalequitas, derrotou-os e trouxe de volta todos familiares que foram sequestrados. O esforço de Davi, como líder, e a sua dependência de Deus, foram os responsáveis pela vitória naquela situação.

Vitórias em tempos de crise vêm do esforço e da confiança em Deus, sempre de acordo com as suas orientações.

6. Não faça o que é mal aos olhos do Senhor

“E passado o luto, enviou Davi e a recolheu em sua casa; e lhe foi por mulher e ela lhe deu um filho. Porém essa coisa que Davi fez pareceu mal aos olhos do Senhor” (2º Sm 11.27)

Não é pecado ter sucesso na liderança. A questão é como reagimos ao sucesso obtido.

Richard D. Phillips comenta que “o sucesso tem um efeito desorientador sobre a maioria de nós. Depois de lutar tanto tempo para chegar à tão sonhada posição no topo, deixamos de fazer as coisas que nos levaram até ela.” E o pecado pode atacar os que estão na liderança e levá-los direto para o fundo do poço.

Davi deu um gosto especial de vitória ao seu povo. Derrotou os filisteus do oeste, os moabitas do leste, e os arameus de Damasco, no Norte, dominando a Síria (2º Sm 8—10). “E o Senhor ajudava Davi por onde quer que ia. Reinou, pois, Davi sobre todo o Israel; e Davi julgava e fazia justiça a todo o seu povo” (2º Sm 8.14,15).

Nesta altura da história, vemos um Davi no auge de sua liderança e dependência de Deus. Mas a seguir, em 2º Samuel 11, vemos que este mesmo Davi incorreu em um terrível pecado.

O primeiro passo. Davi deveria estar no combate, mas estava em seu palácio, deixando suas tropas sob os cuidados de outra pessoa. Deixar que outras pessoas façam o que podemos fazer é delegação, e isto não constitui um problema. A delegação auxilia os liderados a executar tarefas cada vez mais responsáveis. O problema reside no fato de que aquele era o tempo de os reis estarem na guerra.

Quando esquecemos a hora de fazer a nossa parte na obra de Deus, abrimos brechas para a tentação e o pecado. No tempo em que devemos trabalhar, não podemos:

- Estar ociosos, tirando um cochilo enquanto o combate está acontecendo (a linguagem é bastante militar, pois Israel estava em guerra): “levantou-se Davi do seu leito”
- Andar sem objetivos: “andava passeando no terraço da casa real”
- Depositar nosso olhar naquilo que não provém de Deus: “viu uma mulher que estava tomando banho; e era mui formosa”;
- Interessar-se por aquilo que não é da nossa conta: “Davi mandou perguntar quem era”;
- atrair para si o que não era seu: “Enviou Davi mensageiros que a trouxessem”
- Efetivar o pecado: “ela veio, e ele se deitou com ela”

Esse foi o caminho para a queda de Davi. Davi já possuía 6 esposas. Agora queria a de Urias. Não foi tão difícil, para quem já se esquecera da lei de Deus, tendo várias mulheres: “Tampouco para si multiplicará mulheres, para que o seu coração não se desvie” (Dt 17.17).

O mesmo Davi que se conduzia com prudência (1º Sm 18.5,14) e ganhara o respeito do povo pelas vitórias que obtinha agora estava traindo sua própria família, um de seus melhores soldados, seu povo e o seu Deus

A queda de Davi não ocorreu de forma repentina. Ninguém cai de um dia para o outro. A verdade é que as estruturas mais sólidas vão sendo corroídas com o tempo, quando cometemos pequenos delitos, ou quando não deixamos com Deus nossa vida como um todo. E a iInfidelidade pessoal leva à infidelidade profissional e ministerial.

O segundo passo. Davi já cometera um adultério, quando recebe a notícia de que Bate-Seba engravidara. Crianças podem nascer antes do tempo, para dar esta impressão, Davi ordena que Urias retorne para casa, com o objetivo de coabitar com sua esposa. Se isto ocoresse, Davi teria uma desculpar para se safar.

Mas Urias era um soldado de valor, e mesmo tendo sido embriagado por Davi, não teve relações sexuais com sua esposa. Isto deixou Davi sem outras opções de esconder seu pecado, e o monarca decide matar um de seus mais fiéis e honrados soldados. E ainda ordena que o próprio soldado leve sua sentença de morte ao comandante Joabe.

O terceiro passo. Primeiro adultério, depois ocultação do pecado, e finalmente, a ordem para um assassinato. O pecado deixou Davi tão cego que ele mandou uma mensagem a Joabe, seu cúmplice no assassinato de Urias: “Não te pareça mal isto aos teus olhos” (2º Sm 11.25). Mas o que não era mal aos olhos de Davi foi mal aos olhos de Deus. Quando nos afastamos de Deus, tentamos convencer as pessoas que o que é errado se torna certo. Mas o olhar de Deus é íntegro. Ele é juiz tanto para a justiça quanto para a injustiça, e quando as encontra, Ele as julga.

Aproximadamente um ano se passou sem que houvesse em Davi qualquer manifestação de arrependimento pelo que havia feito. Casado com a viúva, deu aos olhos do povo um ar de legalidade ao que havia feito. Mas Natã, o profeta enviado por Deus, confrontou Davi: “Porque, pois, desprezaste a palavra do Senhor, fazendo o mal diante de seus olhos? A Urias, o heteu, feriste à espada, e a sua mulher tomaste por tua mulher; e a ele mataste com a espada dos filhos de Amom” (2º Sm 12.9). Davi desprezou a Palavra do Senhor, o Deus a quem tanto amou quando era mais novo. Mandou Urias, um estrangeiro hitita que servia no exército de Israel, para ser morto de propósito pelos inimigos. E Deus viu tudo isso.

A conseqüência do pecado de Davi.

Será que Deus não foi severo em suas exigências para com Davi? Porque uma pessoa que está na liderança do rebanho não pode ter uns momentos de folga da santidade? Alguém que obtivera tantas vitórias não poderia dar uma fugidinha, afinal, ser rei é estar sob uma pressão terrível... Deus exige um alto padrão moral de sua liderança. Infidelidade é fazer pouco caso de um compromisso, e no caso de

Davi, foi desprezo à Palavra do Senhor. Por causa de seu pecado, o pastor segundo o coração de Deus seria lembrado também por sua terrível falha moral, além de trazer a espada à sua própria casa.

A vigilância faz parte de nossa vida sempre. Tentações e o pecado não tiram férias, portanto, esteja alerta à sua vida moral e espiritual.

7. Cuide de seus filhos

Davi teve diversas esposas e filhos. Não é difícil imaginar que em um lar onde há diversas mulheres e filhos competindo pela atenção de um único homem, a paz e a felicidade certamente não andam juntas. Na época em que cometeu adultério com Bate-Seba, Davi já tinha 6 esposas. Não se preocupou muito em educar e disciplinar seus filhos, e o resultado foi catastrófico.

Um irmão (Amnon) violentou sua meio-irmã (Tamar) (2º Sm 13.1-17);
O irmão desta, Absalão, revoltou-se com a inércia de seu pai.
Davi ficou apenas irado com Amnon, mas não fez mais nada! (2º Sm 13.21);
Davi nada faz para consolar sua filha violentada e humilhada;
Absalão matou seu meio-irmão dois anos depois pelo estupro (2º Sm 13.23,32);
Absalão tem de fugir e fica fora do país por três anos.

Após este período, Davi permitiu que seu filho voltasse a Israel, mas deixou claro que não queria que o filho sequer olhasse a face do rei (2º Sm 14). Essa situação durou mais dois anos. Somando tudo isto, 2 anos a vingança amadureceu no coração de Absalão contra Amnon, mais 3 anos foragido e outros 2 anos sem olhar para Davi. Este foi o tratamento que Davi deu a seu filho, o que depois gerou um golpe de Estado que deixou Davi sem o reino por um período, e custou a vida de Absalão.

Lembra-se do que Deus disse quando Davi pecou? “Assim diz o SENHOR: Eis que suscitarei da tua própria casa o mal sobre ti, e tomarei tuas mulheres perante os teus olhos, e as darei a teu próximo, o qual se deitará com tuas mulheres perante este sol” (2º Sm 12.11). O próximo que se deitou com as concubinas de Davi foi o próprio Absalão. Isto foi conseqüência de seu adultério com Bate-Seba e de sua falha como pai. A presença paterna de Davi era nula, e isto é patente na Bíblia.

No saldo da falta de ação de Davi, houve uma filha estuprada, dois filhos mortos e outras mulheres violentadas, e na frente do povo (2º Sm 7.23). E Davi pouco fez para evitar essa situação.

Se temos filhos, precisamos tratar com eles de forma íntegra. Não é justo cobrar de nosso filhos o que não costumamos cobrar do rebanho.

Precisamos ensiná-los antes de cobrar qualquer coisa, e passar tempo com eles, dando-lhes a atenção que eles merecem. “Como flechas na mão do valente, assim são os filhos da mocidade” (Sl 127.4). Como pais, devemos ter resistência e flexibilidade, pois este equilíbrio permite ao arco apontar e lançar as flechas aos alvos e distâncias corretas. Portanto, seja equilibrado e cuide bem dos filhos que Deus lhe deu.

Seu primeiro rebanho é a sua casa. Não espere ser um bom líder em qualquer outro lugar se não puder começar em seu lar.


Alexandre Claudino Coelho é pastor na Assembléia de Deus no Recreio dos Bandeirantes (Ministério de Petrópolis), professor de Grego e Novo Testamento na FAECAD, articulista, editor de Obras Nacionais e Internacionais e chefe do Setor de Livros da CPAD.

Saturday, 29 August 2009

C.S. Lewis

“O cristianismo, se é falso, não tem nenhuma importância, e, se é verdade, tem infinita importância. O que ele não pode ser é de moderada importância” – C.S. Lewis.


“Ele era um homem pesado que parecia ter 40 anos, com um rosto carnudo e oval e compleição sadia. Seu cabelo preto já tinha deixado a testa, o que o tornava especialmente imponente. Eu nada sabia sobre ele, exceto que era o professor de Inglês da faculdade. Eu não sabia que ele tinha publicado algum livro assinando seu próprio nome (quase ninguém o fazia). Mesmo depois de eu ter sido aluno dele por três anos, nunca passou pela minha cabeça que ele poderia ser o autor cujos livros vendiam em média dois milhões de exemplares por ano. Uma vez que ele nunca falou de religião enquanto eu era seu aluno, ou até que ficássemos amigos, 15 anos depois, parecia impossível que ele fosse o meio pelo qual muitos vieram à fé cristã”. Mesmo para seu melhor biógrafo e amigo de longa data, George Sayer, Clive Staples Lewis era uma surpresa e um mistério.
Como J.R.R. Tolkien aconselhou Sayer: “Você nunca chegará ao fundo dele”. Mas compreender ou até mesmo concordar com Lewis nunca foram pré-requisitos para gostar dele ou admirá-lo.
Seus livros continuam vendendo extremamente bem (a série As crônicas de Nárnia, por exemplo, está entre os 200 títulos top da Amazon.com) e muitos leitores o consideraram o escritor mais influente em suas vidas. Um feito e tanto para um homem que por muito tempo desacreditou “a mitologia cristã” e considerava Deus “Meu Inimigo”.
Lewis nasceu em Belfast, na Irlanda, numa família protestante que gostava de ler. “Havia livros no escritório, livros na sala de jantar, livros na chapeleira, livros na grande estante no alto da escada, livros no quarto, livros empilhados até a altura do meu ombro no reservatório de água no sótão, livros de todos os tipos”, Lewis lembrava, e tinha acesso a todos eles. Em dias chuvosos – e havia muitos no norte da Irlanda – ele tirava muitos volumes das prateleiras e entrava em mundos criados por autores como Conan Doyle, E. Nesbit, Mark Twain e Henry Wadsworth Longfellow.
Depois que seu único irmão, Warren, foi mandando para um colégio interno na Inglaterra em 1905, Jack, nome adotado por ele mesmo aos 3 anos, tornou-se um recluso. Ele passava mais tempo com os livros e um mundo imaginário de “animais vestidos” e “cavaleiros de armadura”.
A morte de sua mãe, de câncer, em 1908, tornou-o ainda mais introvertido. A morte da Sra. Lewis veio apenas três meses antes do décimo aniversário de Jack, e este jovem estava muito abatido pela perda de sua mãe. Além disso, seu pai nunca se recuperou totalmente da morte dela, e os meninos sentiram-se cada vez mais afastados dele; a vida em casa nunca mais foi agradável e satisfatória.
A morte da mãe convenceu o jovem Jack de que o Deus que ele encontrava na Bíblia que sua mãe lhe dera não respondia sempre às orações. Esta dúvida inicial, somada a um regime espiritual excessivamente severo e autodirigido e a influência de uma governanta do colégio interno moderadamente ocultista alguns anos depois fizeram Lewis rejeitar o cristianismo e tornar-se ateu declarado.
Lewis entrou em Oxford em 1917, como aluno e, na verdade, nunca saiu. “O lugar ultrapassou meus sonhos mais incríveis”, ele escreveu a seu pai depois de passar seu primeiro dia lá. “Eu nunca vi nada tão lindo”. Apesar de uma interrupção para lutar na Primeira Guerra Mundial (na qual foi ferido pela explosão de uma granada), ele sempre manteve seu lar e amigos em Oxford. Sua ligação com o lugar era tão forte, que quando ele ensinou em Cambridge, de 1955 a 1963, ele voltava à Oxford nos fins de semana para que pudesse estar perto de lugares familiares e amigos que ele amava.
Em 1919, Lewis publicou seu primeiro livro, uma série de versos líricos sob o pseudônimo de Clive Hamilton. Em 1924, tornou-se instrutor de filosofia na University College, e no ano seguinte foi eleito membro do Magdalen College, onde ele era instrutor de Língua Inglesa e Literatura. Seu segundo volume de poesia, Dymer, também foi publicado sob um pseudônimo.
Conforme Lewis continuou a ler, ele apreciava de modo especial o autor cristão George MacDonald. Um volume Phantastes desafiou poderosamente seu ateísmo. “O que ele fez de verdade comigo, escreveu Lewis, foi converter, mesmo batizar… minha imaginação.” Os livros de G.K. Chesterton trabalharam da mesma forma, especialmente The Everlasting Man [O homem eterno], que levantava sérias questões sobre o materialismo do jovem intelectual.
“Um jovem que deseja permanecer um ateu assumido não pode ser muito cuidadoso com sua leitura”, Lewis escreveu mais tarde em sua autobiografia Surpreendido pela alegria. “Deus é, se posso dizer assim, muito inescrupuloso”.
Enquanto MacDonald e Chesterton estavam mexendo com os pensamentos de Lewis, seu amigo intimo, Owen Barfield, atacava a lógica do ateísmo de Lewis. Barfield tinha se convertido do ateísmo para o teísmo, e então, finalmente, ao cristianismo, e ele freqüentemente atormentava Lewis sobre o seu materialismo. O mesmo fazia Nevil Coghill, um brilhante colega estudante e amigo de longa data, que, para a surpresa de Lewis, era “um cristão e um supernaturalista radical”
Logo depois de entrar para a Faculdade de Inglês em Magdalen College, em Oxford, Lewis conheceu mais dois cristãos, Hugo Dyson e J.R.R. Tolkien. Estes homens tornaram-se amigos íntimos dele. Ele admirava sua lógica e o fato de que eram brilhantes. Logo Lewis percebeu que a maioria dos seus amigos, assim como seus autores favoritos — MacDonald, Chesterton, Johnson, Spenser e Milton — criam neste cristianismo.
Em 1929 estas estradas se encontraram e Lewis se rendeu, admitindo: “Deus era Deus e ajoelhei e orei”. Em dois anos, o relutante convertido também passou do teísmo para o cristianismo e entrou para a Igreja da Inglaterra.
Quase imediatamente, Lewis tomou uma nova direção, mais notadamente em sua escrita. Os esforços anteriores para ser um poeta foram deixados de lado. O novo cristão devotou seu talento a escrever prosa, que refletia sua fé recém-encontrada. Depois de dois anos de sua conversão, Lewis publicou O regresso do peregrino (1933). Este pequeno volume abriu uma torrente de 30 anos de livros sobre a defesa da fé cristã e discipulado que se tornaram a ocupação de toda sua vida.
Nem todos aprovavam seu novo interesse em apologética. Lewis recebia críticas dos membros do seu círculo mais íntimo de amigos, os Inklings (o apelido do grupo de intelectuais e escritores que se encontravam regularmente para trocar idéias). Mesmo amigos íntimos cristãos como Tolkien e Owen Barfield desaprovavam abertamente a fala e a escrita evangelísticas de Lewis.
De fato, os livros “cristãos” de Lewis causavam tanta desaprovação que mais de uma vez ele perdeu a nomeação para professor em Oxford, com as honras indo para homens com menores reputações. Foi no Magdalene College, na Universidade de Cambridge, que Lewis foi finalmente honrado com uma cadeira em 1955.
Apesar da recepção que tiveram perto de casa, os 25 livros cristãos de Lewis, incluindo Cartas de um diabo ao seu aprendiz (1942), Cristianismo puro e simples (1952), As crônicas de Nárnia (1950-56), O grande abismo (1946), e A abolição do homem (1943), que a Encyclopedia Britannica incluiu em sua coleção de Grandes Livros do Mundo, venderam milhões de exemplares.

Embora seus livros tenham lhe dado fama mundial, Lewis era em primeiro lugar um estudioso. Ele continuou a escrever história e crítica literária, tais como The Allegory of Love [A alegoria do amor] (1936), considerado um clássico em sua área, e English Literature in the Sixteenth Century [Literatura inglesa no século 16] (1954).
Apesar de seus muitos feitos intelectuais, ele se recusou a ser arrogante: “A vida intelectual não é a única estrada para Deus, nem a mais segura, mas sabemos que é uma estrada, e pode ser a que foi apontada para nós. é claro, assim será enquanto mantivermos o impulso puro e desinteressado”.
Lewis teve pelo menos um choque de discordância em sua estrada intelectual: um debate em 1948 com a filósofa britânica Elizabeth Anscombe. Anscombe leu um trabalho diante do Oxford Socratic Club (um fórum que Lewis dirigiu por muitos anos) no qual ela atacou a recente publicação de Lewis, chamada Milagres, e todo seu argumento contra o naturalismo. Ela venceu naquele dia, e relatos dizem que ele ficou “profundamente perturbado” e “muito triste”. Ele nunca mais escreveu sobre apologética pura, embora continuasse a comunicar sua fé através da ficção e de outras formas literárias.
Os livros não eram o único meio de compartilhar sua mensagem. Em 1941, o diretor de transmissão religiosa da BBC (que encontrava conforto pessoal através da leitura de O problema do sofrimento) perguntou se Lewis estaria interessado em falar no rádio. Embora o escritor odiasse rádio, ele reconheceu a oportunidade de alcançar uma audiência maior. O resultado foram sete grupos de conversas, transmitidos entre 1941 e 1944, com títulos como Right and Wrong: A Clue to the Meaning of the Universe? [Certo e errado: uma idéia do significado do universo?] e What Christians Believe [No que acreditam os cristãos].
As transmissões semanais eram muito populares – justamente o que os britânicos precisavam, pois andavam desencorajados e cansados da tristeza da Segunda Guerra Mundial. Sayer conta: “Eu me lembro de estar num bar cheio de soldados em uma noite de quarta-feira. Às 7h45, o barman ligou o rádio no programa de Lewis. ‘Ouçam este sujeito’, ele gritou, ‘vale realmente a pena ouvi-lo’. E os soldados ouviram com atenção por todos os 15 minutos”.
Além da fama crescente de Lewis como palestrante e um defensor da fé, as conversas na BBC produziram, pelo menos, dois grandes resultados. Um foi o livro Cristianismo puro e simples (1952), uma coleção destes programas, que agora é a segunda obra mais vendida de Lewis. O outro foi um dilúvio de correspondências, incluindo muitas cartas de pessoas que buscam algo no mundo espiritual para quem ele desejava dar uma resposta pessoal e detalhada. O grande volume de cartas levou-o a buscar a ajuda de seu irmão Warren como secretário, mas não lhe impediu de criar respostas que mostravam a mesma clareza de pensamento e graça literária encontrada em toda a sua obra.
Uma correspondente em particular teve um papel importante na vida de Lewis. Em 1950, ele recebeu uma carta de Joy Davidman Gresham, uma nova-iorquina que se tornou cristã lendo O grande abismo e Cartas de um diabo a seu aprendiz. Lewis ficou impressionado com sua escrita e com a mente por trás de tudo e uma correspondência alegre e intensa se seguiu.
Dois anos depois, Joy atravessou o Atlântico para visitar seu mentor espiritual na Inglaterra. Logo depois, seu marido alcoólatra a abandonou para viver com outra mulher e ela se mudou para Londres com seus dois filhos adolescentes, David e Douglas.
Joy, e, aos poucos, entrou em problemas financeiros. Lewis a ajudou, assumindo as despesas do colégio interno dos meninos e pagando o aluguel de uma casa não muito longe da sua. Entre os dois cresceu uma profunda amizade, para o desgosto de muitos dos amigos de Lewis. Joy tinha muitos pontos contra ela: era americana, de descendência judia, ex-comunista, 16 anos mais jovem que Lewis, divorciada e pessoalmente abrasiva. Entretanto, ela estimulava a escrita de Lewis, e ele gostava de sua companhia.
Ainda assim, não foi o amor, em primeiro lugar, que os motivou a se casarem em 1956. Joy não conseguiu renovar sua permissão para viver na Inglaterra; sua única chance de ficar no país, então, era casar-se com um inglês. Lewis, galantemente, ofereceu seus préstimos.
Poucos meses depois da cerimônia de casamento civil, algo aconteceu para levantar as emoções de Lewis. Depois de uma queda grave em sua casa, Joy foi diagnosticada com câncer nos ossos. “Desde que ela foi atingida por esta notícia, eu a tenho amado mais”, Lewis escreveu a um amigo. Os dois se casaram numa cerimônia religiosa, com Joy de cama, e ela se mudou para a casa de Lewis, possivelmente para morrer.
No que pareceu um milagre, sua condição melhorou e ela e Lewis viveram três anos felizes juntos. Como ele escreveu para um amigo logo depois do seu casamento: “é engraçado ter aos 59 anos o tipo de felicidade que a maioria dos homens tem aos 20… ‘Mas você guardou até agora o melhor vinho’”. Uma escritora por seus próprios méritos, sua influência sobre o que Jack considerou seu melhor livro, Till We Have Faces [Até que tenhamos rostos] (1956), foi tão profunda que ele contou a um amigo próximo que ela foi, na verdade, sua co-autora.

A morte de Joy, em 1960, assim como a de sua mãe, foi para Lewis um duro golpe. O melhor modo que ele conhecia para lutar contra seus sentimentos de luto, raiva e dúvida era escrever um livro. A anatomia de uma dor apareceu em 1961, e veio ao público sob um pseudônimo, porque era algo tão íntimo e pessoal que Lewis não suportaria publicá-lo com seu próprio nome. Poucos exemplares foram vendidos até que ele foi relançado com o nome verdadeiro do autor, após a sua morte.
No verão e outono de 1963, a saúde de Lewis se deteriorou. Ele morreu enquanto dormia, no dia 22 de novembro: no mesmo dia em que John F. Kennedy foi assassinado. Talvez por causa do choque mundial pela morte do presidente, Lewis quase não foi mencionado nos jornais, e seu funeral teve a participação de sua família e de seus amigos íntimos, incluindo os Inklings.
Lewis pode ter sido enterrado sem alarde, mas seu impacto nos corações e vidas nunca parou de crescer. Nas palavras do líder evangélico John Stott: “Ele era centrado em Cristo, um cristão de tendência da grande tradição, cuja estatura, uma geração após sua morte, parece maior do que qualquer um jamais pensou enquanto ele estava vivo, e cujos escritos cristãos são agora vistos como tendo status de clássico… Eu duvido que alguém tenha conseguido enxergá-lo completamente”.
Ted Olsen, ex-editor-assistente da “História Cristã”, agora é editor da Christianity Today.
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Fonte: http://cristianismohoje.com.br/